Cerca de 20 homens fortemente armados atacaram a retomada de território indígena
Um ataque violento na madrugada deste domingo (16) resultou na morte de Vicente Fernandes Vilhalva, indígena Guarani Kaiowá de 36 anos, e deixou quatro outras pessoas feridas na Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá I, em Iguatemi, Mato Grosso do Sul. O caso foi confirmado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Segundo relatos, cerca de 20 homens fortemente armados atacaram a retomada de Pyelito Kue, reivindicando a posse da terra que foi identificada e delimitada pela Funai em 2013, mas cuja demarcação está paralisada até hoje. O ataque começou por volta das 4h e se estendeu até as 6h. Vicente Fernandes foi atingido por um tiro na testa, enquanto os atiradores tentaram levar o corpo, ação impedida pelos próprios indígenas.

Quatro pessoas ficaram feridas: dois adolescentes e uma mulher foram atingidos por disparos nos braços e no abdômen. Um adolescente também levou um tiro de arma de fogo, e os demais sofreram ferimentos causados por balas de borracha.
De acordo com a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), esta foi a quarta investida contra a retomada desde o início do mês de outubro, mas a mais violenta até o momento. O grupo reforçou que não aceitará mais ser tratado como invasor em suas próprias terras, lembrando que a Constituição Federal garante os direitos dos povos indígenas e que o Estado brasileiro tem a obrigação de protegê-los.
A Funai manifestou “profundo pesar” pela morte de Vicente e destacou que equipes do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas foram acionadas, assim como órgãos de segurança pública. A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) chegou ao local ainda pela manhã, reforçando o patrulhamento e apoiando ações conjuntas com Polícia Federal e Funai.
“A morte de mais um indígena Guarani Kaiowá evidencia que não há trégua na perseguição aos defensores de territórios e do meio ambiente, mesmo com discussões globais sobre o papel indígena na mitigação climática, como na COP30”, afirmou a Funai.
Segundo relatos dos indígenas, após o ataque, os pistoleiros destruíram uma ponte e cercaram a aldeia, dificultando a chegada das equipes de socorro. “Estamos cercados. Estão atirando nas nossas casas. Sem chance de defesa”, disse uma indígena, que preferiu não se identificar por segurança.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) confirmou que, ao chegar ao local, três vítimas foram identificadas: duas feridas e um óbito. Providências de socorro foram adotadas imediatamente, e a Força Nacional reforçou o patrulhamento.
A retomada de parte da Fazenda Cachoeira, sobreposta à TI Iguatemipeguá I, vinha sendo alvo de conflitos desde outubro, e o episódio deste domingo é considerado o mais grave até hoje.
*Com informações de O Globo



