A situação da saúde nas aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados (MS), tem gerado forte preocupação entre lideranças e moradores. O aumento dos casos de dengue e chikungunya expõe um cenário que comunidades indígenas denunciam como abandono e falta de ações preventivas por parte da saúde indígena.
Os primeiros casos começaram a surgir ainda no final de janeiro de 2026. Mesmo diante dos sinais de alerta, segundo relatos da comunidade, não houve mobilização preventiva adequada, como visitas frequentes de agentes de saúde, orientação coletiva ou ações de combate ao mosquito transmissor.
A gravidade da situação obrigou o município a realizar um mutirão emergencial nas aldeias Bororó e Jaguapiru, onde em apenas três dias foram vistoriadas 2.255 casas, com 589 focos de larvas do mosquito Aedes aegypti encontrados.
A crise se agrava com outros problemas denunciados pela comunidade:
* Falta de acompanhamento médico regular
* Demora na notificação e atendimento dos casos
* Falta de água em algumas comunidades
* Retirada de veículos utilizados pelas equipes de saúde por atraso de pagamento à empresa terceirizada
Sem transporte adequado, pacientes e profissionais enfrentam dificuldades para atendimento, justamente no momento mais crítico da epidemia.
A situação já afeta também a educação. Na Aldeia Jaguapiru, lideranças estudam suspender temporariamente as aulas na Escola Estadual Guateka, após aumento expressivo de casos entre alunos, professores e funcionários. Segundo lideranças locais, cerca de 70% das doenças registradas na comunidade estão relacionadas à dengue e à chikungunya.
Diante desse cenário, lideranças indígenas cobram respostas urgentes das autoridades responsáveis pela saúde indígena, além de ações efetivas de prevenção, estrutura de atendimento e respeito à vida das comunidades.
A população da Reserva Indígena de Dourados enfrenta hoje uma grave crise sanitária que exige providências imediatas.
Saúde indígena é direito, não descaso.




