O colonialismo nunca acabou. Ele apenas trocou de roupa, modernizou seus métodos e agora atua de forma ainda mais silenciosa, porém igualmente destrutiva.
Se antes vieram atrás do pau-brasil, do ouro e da cana, hoje levam o sol, o vento, as sementes, os dados e os saberes tradicionais. Os territórios indígenas e quilombolas continuam sendo explorados como se fossem terra sem dono, como se seus povos não existissem, como se a vida que pulsa ali fosse descartável.
O colonialismo de hoje é o parque eólico instalado sem consulta. É a energia solar que chega devastando quilombos. É o agronegócio que empurra monoculturas sobre roças tradicionais. É a tecnologia usada para controlar, vender e vigiar os modos de vida ancestrais.
Não é só sobre perder terra. É sobre perder a possibilidade de existir com autonomia.
O Projeto Àwúre tem reafirmado em todas as suas ações: não aceitamos ser apenas sobreviventes de um sistema que continua nos matando. Queremos o que nos foi tirado. Queremos de volta nossos territórios, nossos corpos, nossos saberes e nossos modos de vida.
Retomar não é invadir. Retomar é reocupar com dignidade o que sempre nos pertenceu.
Cada quilombo reerguido, cada território indígena demarcado, cada roça plantada em terra resgatada é um passo na reconstrução de um Brasil que respeita quem sempre cuidou dessa terra.




