No dia 20 de novembro é celebrado O Dia Nacional da Consciência Negra no Brasil. A data é uma homenagem a um dos maiores lideres negros do país e relembra a morte de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares. As atividades que acontecem em novembro são gatilhos para debates e ações de representatividade do povo negro, contada a partir da participação de toda população brasileira.

Ainda é complicado compreender as razões que levam muitas pessoas a terem orgulho da sua ascendência europeia a tal ponto de negar sua origem africana. Em nosso país, o “preconceito de marca” é o que dita as regras. Anormal, porém extremamente comum, isso acontece quando uma pessoa é discriminada por sua natureza física, cor da pele, cabelo ou até mesmo pelo seu modo de falar. Sendo assim nos perguntamos: Como resgatar um povo que prefere negar suas origens ao invés de reconhecer sua identidade? O reflexo desse contexto é a exclusão de grandes personalidades negras, heróis esquecidos ou classificados em um quadro de segunda ordem nos livros escolares, literatura e nos meios de comunicação. Por exemplo, não é dado o espaço necessário para outro entendimento durante o período escravocrata que não seja a visão do eurocentrismo. Não existe menção, tampouco visibilidade honesta aos feitos gloriosos do povo negro no Brasil com o mesmo impacto da devastação causada aqui pelo povo europeu.
De acordo com a lei 10.639, sancionada em janeiro de 2003, é obrigatório durante o ensino fundamental e médio o estudo da história e cultura afro-brasileira. Esta seria a base de uma educação antirracista: valorizar a identidade e a trajetória dos diferentes povos que formam o país, em vez de tomar a visão do colonizador como a dominante. Em março de 2008, a lei 11.645 tornou obrigatório também o ensino da cultura e história indígenas. Quando tratamos dessa questão no Brasil, contribuímos para a construção de uma sociedade mais justa num país multiétnico e racial. Na história do Brasil grandes homens, daqueles heróis que não usam capa, marcaram a importância do povo negro que ajudou a formar esse país. Seja de forma individual ou em grupo.

Revolta dos Malês: No ano de 1835, na cidade de Salvador (BA) acontecia a maior revolta de escravos da história do Brasil. Mais de 600 escravizados negros africanos, de origem islâmica, marcharam nas ruas de Salvador convocando outros escravizados a se rebelarem contra a escravidão e acabar com a imposição do catolicismo, abolir o regime escravocrata e fundar uma república islâmica no nordeste do Brasil.

Afonso Henriques de Lima Barreto: O escritor e jornalista Lima Barreto nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1881, era filho de pai e mãe nascidos libertos. Morreu prematuramente em decorrência do vício do álcool, que por mais de uma vez o levou ao hospício. Lima Barreto escreveu “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” (Lisboa, 1909), romance que foi a sua estreia, “Triste fim de Policarpo Quaresma” (1915), “Numa e a Ninfa” (1915), “Vida e Morte de J. Gonzaga de Sá” (1919), “Histórias e Sonhos” (1920), “Os Burundangas” (1922). Afonso Barreto é até hoje considerado um dos maiores expoentes da literatura nacional.

José do Patrocínio (1853-1905): Abolicionista, jornalista e escritor brasileiro. Participou ativamente dos movimentos para libertação dos escravizados. Sua participação nas campanhas contra a escravidão e a monarquia começou em 1871, com um poema no jornal A República. Ganhou destaque por seu pensamento liberal e por engajar-se em movimentos abolicionistas; também foi líder da Guarda Negra, movimento paramilitar formado por ex-escravizados que entravam em confronto aberto contra defensores da manutenção do sistema escravagista no Brasil. Por sua postura, embora defensor da República, se tornou grande amigo da Princesa Isabel e do Imperador Dom Pedro II.
Esses são só alguns desses heróis da nossa história. O Àwúre, iniciativa do Ministério Público do Trabalho, OIT Brasil e Unicef Brasil ressalta que a nossa história não deve ser esquecida. Para chegarmos até aqui, foi preciso muita luta. Ainda há muito o que fazer, mas também há muito do que se orgulhar!




