Com mais de 70 mil participantes, o encontro formulou um manifesto pela vida, pelos territórios e por uma transição climática justa
Enquanto a COP fala de metas, a Cúpula fala de vidas, direitos e territórios.
Às margens da COP30, nasce a Cúpula dos Povos, um espaço de articulação política forjado pela ausência: mais uma vez, povos originários, comunidades tradicionais e populações periféricas foram excluídas das mesas principais de negociação climática.
Diante disso, esses povos se reuniram, não para esperar, mas para propor. Ao longo do encontro, foram compartilhadas experiências de luta, saberes ancestrais, intercâmbios culturais e visões plurais sobre justiça ambiental e climática. Esse processo culminou na aprovação da Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30, um manifesto que denuncia o modelo capitalista, o imperialismo, o racismo ambiental e reafirma a centralidade dos povos na preservação da vida e dos territórios.
Essa diferença de perspectiva é fundamental. Enquanto os fóruns oficiais operam sob uma lógica técnico-burocrática, distante da realidade de quem já sofre os efeitos da crise climática, a Cúpula dos Povos recoloca no centro do debate global temas vitais como a justiça climática, a soberania dos territórios, o direito à vida, os vínculos com a ancestralidade e a urgência de repensar o modelo de desenvolvimento imposto.
O documento que publicamos a seguir não é apenas uma carta política: é um chamado à ação. Um grito coletivo que não espera por 2030 nem por promessas futuras. Ele denuncia o presente, exige reparação histórica e afirma: os povos seguirão em marcha.
Porque justiça climática não é concessão, é direito.
A íntegra da Declaração está disponível aqui.
Por que isso importa?
- Reafirma que nenhuma solução climática será eficaz se desconsiderar os saberes, práticas e modos de vida dos povos originários e tradicionais;
- Denuncia que a crise ambiental é inseparável das crises de justiça racial, territorial e de gênero;
- Reposiciona a Amazônia, Belém e suas gentes no centro do debate climático global, mostrando que a floresta também pensa, propõe e lidera.
O que esperar daqui por diante
Com o lançamento da Declaração, as pautas estão colocadas com clareza:
demarcação de terras, soberania alimentar, políticas de justiça ambiental, participação efetiva dos povos originários nas decisões e ruptura com o modelo extrativista que ameaça a vida e os territórios.
O Projeto Àwúre se soma a essas exigências e acompanhará de perto os desdobramentos desse processo, incluindo a incidência política durante a COP30 e além dela.



