O Dia Internacional dos Povos Indígenas (9) encerra a semana da IV Marcha das Mulheres Indígenas e a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, em Brasília. Uma sessão solene homenageou no Plenário da Câmara dos Deputados, na quinta (7), a mobilização que reuniu cerca de cinco mil indígenas. Lideranças defendem a participação no debate climático, os vetos às mudanças no licenciamento ambiental, a rejeição da mineração em terras indígenas e denunciam o aumento da violência após o Marco Temporal (Lei 14.701/2023).
O DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS, EM NOVE DE AGOSTO, FOI CRIADO EM 1995 PELAS NAÇÕES UNIDAS PARA DAR VISIBILIDADE À LUTA POR AUTODETERMINAÇÃO, DIREITOS HUMANOS E RESPEITO ÀS CULTURAS ORIGINÁRIAS. NESTA SEMANA, AS MULHERES INDÍGENAS ESTIVERAM EM BRASÍLIA E NO CONGRESSO NACIONAL PARA REIVINDICAR SUAS PAUTAS E DENUNCIAR O AUMENTO DA VIOLÊNCIA EM SEUS TERRITÓRIOS. A REPORTAGEM É DE MARCELA DINIZ:.
Nove de agosto é o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Neste ano, a data encerra a semana da IV Marcha das Mulheres Indígenas e a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, em Brasília.
A pedido da deputada Célia Xacriabá, do PSOL de Minas Gerais, uma sessão solene do Congresso Nacional homenageou a mobilização que reuniu cerca de cinco mil indígenas na capital federal.
No Parlamento, lideranças de várias partes do país apresentaram suas pautas que incluem uma maior participação indígena no debate climático, o veto às mudanças no licenciamento ambiental, a defesa da demarcação de territórios e a rejeição da mineração em terras indígenas – tema em discussão no Senado.
Uma das fundadoras da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, Joziléia Kaingang, argumenta que os garimpos que hoje atuam de forma ilegal demonstram, de antemão, o impacto da exploração mineral nos territórios.
(Joziléia Kaingang) “Infelizmente, muitas vezes as pessoas não conseguem ter dimensão do quanto vai ser prejudicial para os nossos territórios indígenas. A mineração atinge diretamente as nossas crianças, as nossas mulheres, os nossos povos. Nós temos um número altíssimo de contaminação por mercúrio nas regiões onde tem garimpo próximo a territórios indígenas.”
As indígenas também repudiaram a violência sofrida por elas.
Relatório do Conselho Indigenista Missionário contabilizou 211 assassinatos no ano passado. Um deles foi o da pajé Nega Pataxó, em Potiraguá, na Bahia. José Eugênio Amoedo, autor dos disparos, foi preso em flagrante e solto depois de pagar fiança de vinte e oito mil reais. Luzineth Pataxó, irmã da pajé assassinada, atribui ao Marco Temporal o aumento da violência contra indígenas.
(Luzineth Pataxó) “O Marco Temporal vem retroceder tudo aquilo que a gente já conquistou no passado e também vem com essa gama de violência dentro das comunidades indígenas. Então, depois da aprovação dessa lei, tem se matado muito indígena na base. Pajé Nega Pataxó é uma delas. A gente vem para essa conferência também pedir justiça.”
No oeste do Paraná, os conflitos com fazendeiros são frequentes. Vilma Rios, liderança Ava-Guarani, ainda carrega no corpo as duas balas que a atingiram em agosto do ano passado durante um ataque à aldeia Yvy Okaju.
(Vilma Ava-Guarani) “Eu tô aqui como mulher, como liderança mas, também, eu tô aqui como sobrevivente, que recebi dois tiros, tentaram me calar, mas eu tô aqui, representante das mulheres do povo Ava-Guarani. Somos indígenas em busca da demarcação do nosso território.”
Entre março e julho, na mesma terra indígena, foram registrados dois casos de extrema violência: Marcelo Ortiz, de 33 anos, e Everton Rodrigues, de 21, foram decapitados. Junto ao corpo de Everton, filho do cacique da aldeia Yvyju Awary, uma carta com ameaças, inclusive às crianças. Na sessão solene do Congresso, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, disse que já são cinco os casos recentes de decapitações de indígenas. Ela afirmou que os discursos de ódio contra os povos originários alimentam a violência nos territórios. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.




