Uma sessão especial realizada nesta quarta-feira (06), na Câmara Municipal de Salvador, celebrou os 20 anos do Núcleo de Religiões de Matriz Africana (Nafro) da Polícia Militar da Bahia (PMBA).
A homenagem, proposta pelo vereador Sílvio Humberto, ocorreu no Centro de Cultura da Casa Legislativa e destacou a relevância histórica e simbólica do Nafro como iniciativa pioneira entre as forças policiais do Brasil.
A cerimônia foi iniciada com o tradicional toque dos atabaques, em reverência às ancestralidades afro-brasileiras. A mesa de honra contou com a presença do comandante-geral da PMBA, coronel Magalhães; do diretor do Departamento de Promoção Social (DPS), coronel César Albuquerque; do coordenador do Nafro, tenente-coronel Peixoto — Ogan de Xangô do Terreiro da Casa Branca; do vereador proponente e de diversas autoridades civis e religiosas.
Criado em 2005, o Nafro integra o Departamento de Promoção Social da PMBA e surgiu para suprir a ausência de representatividade religiosa de policiais militares praticantes das religiões afro-brasileiras. Desde então, atua na preservação das tradições de matriz africana, na promoção da dignidade humana e na defesa da liberdade religiosa no ambiente institucional.
Durante o evento, o vereador Sílvio Humberto, presidente da Comissão de Cultura e relator do Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa de Salvador, reforçou o papel estratégico do núcleo:
“A relevância do Nafro ultrapassa os limites da PMBA. Ele inspirou outras corporações policiais e até o Exército Brasileiro. Esta sessão reforça o compromisso institucional com a pluralidade religiosa e a desconstrução de preconceitos na segurança pública”, afirmou.
O comandante-geral da PMBA, coronel Magalhães, também destacou o protagonismo da instituição:
“Mais uma vez, a Polícia Militar da Bahia reafirma seu pioneirismo ao consolidar, há 20 anos, uma política de assistência religiosa voltada às tradições de matriz africana dentro da própria tropa”, disse.
Já o coronel César Albuquerque, diretor do DPS, celebrou o reconhecimento vindo da sociedade civil:
“Ver o Nafro ser homenageado por uma instituição composta por representantes do povo, legitimados pelo voto, é a confirmação do valor simbólico e estratégico desse núcleo no enfrentamento ao racismo estrutural e religioso. Esses temas são também prioridades do DPS, que coordena ações como a Ronda Omnira, a Ronda Antirracista e o Simpósio Internacional de Segurança Pública e Relações Raciais”, pontuou.
Com duas décadas de atuação, o Nafro se consolida como símbolo de transformação institucional e respeito à diversidade, contribuindo para a construção de uma segurança pública mais justa, plural e conectada às raízes culturais do povo baiano.




