Com marchas, debates e shows, a 22ª Jornada de Agroecologia do MST reúne atividades no campus da UFPR e homenagens na Alep
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove, entre os dias 6 e 10 de agosto de 2025, a 22ª Jornada de Agroecologia, no campus Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Sob o lema “Terra livre de transgênicos e sem agrotóxicos, cuidando da Terra, cultivando biodiversidade e colhendo soberania alimentar”, o evento reúne milhares de pessoas vindas do campo e da cidade para cinco dias de mobilizações, conferências, oficinas e celebrações culturais.
Jornada começa com marcha e homenagem na Assembleia Legislativa
A programação tem início na quarta-feira (6), com concentração de caravanas do interior às 7h na Praça Santos Andrade para o tradicional Café da Partilha. Às 9h, uma marcha agroecológica e artística segue até a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde será realizada, às 10h, uma sessão especial em homenagem aos 22 anos da Jornada. A mobilização terá caráter político e simbólico, com coreografias, bandeiras e denúncias ao modelo agrícola baseado em veneno e exclusão.
À tarde, o destaque será a abertura do “Túnel do Tempo”, uma instalação imersiva e reflexiva sobre os 500 anos de resistência popular no Brasil, com enfoque na memória camponesa e na história da agroecologia. A abertura oficial da jornada ocorre às 18h, com mística e show de Ivan Vilela no auditório da UFPR.
Debates críticos sobre agrotóxicos, crise ambiental e soberania
A quinta-feira (7) será marcada por debates densos e provocadores. A partir das 9h30, o professor Andrei Cornetta conduz a conferência “Do colonialismo à crise ambiental: a agricultura capitalista no Brasil”, que vai confrontar os impactos históricos do modelo agrário hegemônico. No mesmo dia, será inaugurado o espaço Café Latino “Aquí se respira lucha”, com falas de convidados internacionais da Argentina e Paraguai e apresentações culturais.
Ao longo dos dias, a programação se multiplica: rodas de conversa sobre saúde, juventude, povos indígenas, oficinas sobre economia solidária, seminários temáticos, mostra de filmes e uma feira agroecológica permanente, com produtos orgânicos, sementes crioulas, culinária da terra e exposições de tecnologia social.
Sexta-feira terá intercâmbio Brasil-China em assentamento modelo
Na sexta (8), um dos momentos mais esperados acontece fora da capital: uma visita ao Assentamento Contestado, na Lapa/PR, que receberá a demonstração de máquinas agrícolas chinesas adaptadas à agroecologia, fruto de cooperação internacional entre Brasil e China. Segundo Roberto Baggio, da coordenação do MST, trata-se de um território emblemático de transição agroecológica, com produção cooperada, escola do campo, posto de saúde e forte organização social.
Enquanto isso, no campus Politécnico, continuam as conferências e rodas de conversa sobre o Pronara (Plano Nacional de Agroecologia), os malefícios dos agrotóxicos e os desafios das políticas públicas diante da emergência climática.
Leonardo Boff, João Pedro Stédile e Makota Celinha encerram a Jornada
O sábado (9) será dedicado à reflexão sobre um novo projeto de sociedade. A partir das 9h30, ocorre a grande conferência “O cuidado com o bem comum e a Casa Comum”, com presenças confirmadas de Leonardo Boff, Makota Celinha e João Pedro Stédile. Na sequência, atividades culturais com blocos afro, samba de mulheres e rodas de conversa sobre internacionalismo, economia solidária e espiritualidade dos povos de terreiro.
O encerramento da Jornada será no domingo (10), com uma celebração ecumênica no palco principal, conduzida por Boff, Auricelia Arapiuns e a Makota Celinha. Haverá ainda apresentação da banda Filhos da Mãe Terra e a partilha simbólica das sementes crioulas como sinal de resistência e esperança para o futuro do campo brasileiro.
Opinião do Blog do Esmael
A 22ª Jornada de Agroecologia resiste como um dos maiores eventos de crítica ao agronegócio tradicional no Brasil. Vai muito além de uma feira: é escola popular, festival político e chamado civilizatório. Em meio a retrocessos ambientais e perseguições, o MST reafirma que cuidar da terra é cuidar da vida.
Fonte: https://www.esmaelmorais.com.br/mst-jornada-agroecologia-curitiba/




