O Coletivo/Secretaria Nacional de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) iniciou o planejamento estratégico de 2026 entre os dias 26 e 30 de janeiro, em Brasília. O encontro reúne mulheres quilombolas de diversos estados do país para avaliar ações e fortalecer estratégias, com foco na formação política e na incidência sobre as pautas climática e de gênero.
A programação incluiu debates como “Mulheres Quilombolas e a NDC” e “A NDC dos Quilombolas do Brasil”, abordando os desafios da inserção da pauta quilombola nas políticas públicas e na proteção dos territórios diante do enfrentamento à crise climática.
A mesa de abertura promoveu um diálogo sobre como as mudanças climáticas afetam de forma desigual os territórios quilombolas, além do racismo ambiental enfrentado por essas comunidades. Com o tema “Mulheres quilombolas por empoderamento: formação para o enfrentamento ao racismo ambiental na luta por justiça climática”, o debate contou com a participação de Selam Dealdina Mbaye (Conaq), Fran Paula e Cida Sousa, além das apoiadoras do WWF, Bianca Nakamoto e Trícia Oliveira.
O encontro também buscou dialogar com o WWF para fortalecer o projeto, ampliando a divulgação e a incidência da publicação “Mulheres Quilombolas e Justiça Climática: não adianta sofrermos juntos(as) e lutarmos separados(as)”, conectando a formação política e organizativa à pauta climática e de gênero.
Durante a atividade, também foi destacada a cartilha “Mulheres Quilombolas e Justiça Climática”, apoiada inicialmente pela Tenure Facility, Fundo Ibirapitanga e Fundo Casa, com foco na incidência política durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorreu em Belém em 2025. Com parceria do WWF e do Fundo Casa, o material tem o objetivo de alcançar estados e municípios e fortalecer a atuação das mulheres na pauta climática.
Para Fran Paula, integrante do coletivo de meio ambiente da Conaq, a cartilha foi construída por meio de uma longa trajetória coletiva e não teve início na COP, mas em processos organizativos baseados nos saberes quilombolas.
“É um documento feito de nós para nós. Ele mostra que essa pauta não começou agora e que temos potência para levar essa discussão até os municípios”, afirmou em comunicado à imprensa.
Além dos debates, também foram exibidos um documentário e a apresentação da publicação “Guia Mulheres Quilombolas rumo à COP30”, realizada pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), com apoio do coletivo. O documento é resultado de processos formativos realizados com mulheres quilombolas das regiões Nordeste e Sudeste, no contexto da conferência.
Segundo a Conaq, os materiais buscam fortalecer as vozes das mulheres quilombolas e as estratégias de resistência no enfrentamento à crise climática nos territórios, além de reunir termos e informações fundamentais para o debate climático.
Por Alma Preta




